Moradia para estudantes brasileiros

Para estudantes brasileiros que pensam procurar um apartamento na região de Tóquio e Saitama, e estão com dificuldades para encontrar algum, vou apresentar o que eu morei nesses últimos 4 anos.

Ele fica a 23 minutos da estação de Ikebukuro na linha Tobu Tojo, então para quem estuda na Universidade de Tokyo (campus Hongo), na de Saitama, Hitotsubashi, entre outros, é bem prático. O prédio fica a 8 minutos a pé da estação e tem dois supermercados por perto. E o melhor: o filho do dono morou no Brasil e gosta de ajudar estudantes brasileiros, então ele dá uma colher de chá – ou seja, não pede fiador (hoshonin), explica o contrato em português e é muito prestativo quando precisamos de alguma ajuda, além de ser muito legal.

Quem estiver interessado, entre aqui: http://www.urban-siki.co.jp/suh-top.htm

O preço atualmente (Setembro de 2014) está em 80,000 ienes para 2LDK (cerca de 52 metros quadrados) e 107,000 para 3LDK (não sei a metragem), sujeito a eventuais mudanças (embora o valor não tenha mudado nos últimos 4 anos).

Mudança (Parte 2)

Depois de achar um apartamento e ter feito os procedimentos necessários um mês antes da mudança, vamos para mais procedimentos. Logo antes de mudar:

  • Ligue ou vá até a loja do takkyubin ou empresa de mudança da sua preferência (no meu caso, eu fui até o correio) marcar o dia que eles virão buscar as suas coisas;
  • Ligue para o seu provedor de internet pedir a transferência da linha. No caso da NTT Flets, eles têm número para atendimento em português (0120-581-772) e em inglês (0120-565-950). No meu caso, a mudança foi feita de graça, e o valor da mensalidade continua o mesmo também;
  • Jogue o lixo (inclusive os grandes) e deixe seu apartamento limpo;
  • Mude o endereço e cancele qualquer outra pendência existente, como por exemplo contas de água, luz, telefone e gás (esses quatro não muito aplicáveis para quem mora em Soshigaya), e celular;
  • Faça o procedimento de saída do lugar onde você estava morando.

Dica: Antes de sair, deixe comprado alguns móveis e peça para chegar não muito tempo depois de você mudar. É muito ruim ficar sem cama ou cadeiras em casa!

No lugar para onde você se mudar, faça o seguinte:

  • Assine o contrato com a imobiliária. Eles devem pela lei japonesa explicar (e fazer questão que você entenda) todos os itens do contrato;
  • Pague os aluguéis adiantados, shikikin, reikin e seguro;
  • Peça (no meu caso, a imobiliária pediu) os serviços de água, luz e gás. Telefone e televisão a cabo são opcionais. Se você mudou sua internet, o técnico deve vir no horário especificado para instalar o novo aparelho, e o velho você deve mandar de volta usando o envelope que eles vão mandar no novo endereço (não precisa pagar nada, só enviar no correio ou konbini);
  • Faça a inscrição do Alien Registration (Gaikokujin Touroku ou 外国人登録) na nova prefeitura. Para isso, basta levar seu cartão antigo que eles vão escrever a mudança no verso do cartão e devolvê-lo na hora;
  • Faça a mudança do Seguro-Saúde (Kokumin Kenkou Hoken ou 国民健康保険, ou também Kokuho ou 国保) na nova prefeitura e devolva o cartão na antiga;
  • Faça a mudança de endereço na universidade e peça um papel novo para o teikiken (定期券);
  • Mude o seu teikiken.

Mudança (Parte 1)

Para os moradores do Soshigaya Kokusai Kouryu Kaikan, a primeira coisa a fazer quando estiverem se mudando é pedir na secretaria o Notice of Leave (Taikan Todoke ou 退館届) com pelo menos 30 dias de antecedência. Nele, você escreverá informações como o dia que você sairá do dormitório e seu telefone e novo endereço para contato. Eles marcarão então um dia para a inspeção do quarto (no dia anterior ou no mesmo dia da sua saída).

Algumas coisas para se saber para a mudança:

  • O último aluguel deve ser pago em dinheiro no escritório;
  • A mobília deve ser colocada de volta no mesmo lugar que estava quando você entrou;
  • Você deve levar consigo todos os seus pertences, incluindo o que está na cozinha e no depósito;
  • Jogue todo o lixo fora. Atenção especial para os lixos grandes (sodai gomi ou 粗大ごみ), cuja coleta é paga;
  • Dê uma limpeza no quarto.

Além disso, entregue o Change of Address Notice (Tenkyo Todoke ou 転居届) no correio (se você for continuar no Japão). Com isso, o correio se responsabiliza a entregar toda a sua correspondência na sua casa nova de graça pelo período de um ano.

Procurando apartamentos no Japão

Para aqueles que estão procurando apartamentos no Japão, vou postar algumas dicas. Elas não são experiências próprias minhas, uma vez que eu consegui um apartamento com ajuda de conhecidos meus, mas é basicamente uma reprodução de um guia que a Universidade de Tóquio tem para os estrangeiros, com só um pequeno toque meu. Aqui vai então.

Onde procurar

A primeira pergunta legal a se perguntar para você mesmo é a área que você quer morar. Cada local tem seu preço (dentro da Yamanote, por exemplo, é absurdamente mais caro que em locais mais afastados), então é bom você começar pensando na vizinhança.

Ao escolher da vizinhança, uma boa ideia é procurar em panfletos de imobiliárias locais, pelo menos para ver o preço. Você pode também em sites como o Suumo, Yahoo Japan Real Estate ou o Leo Palace (conhecido por ser uma boa pedida para quem procura apartamentos pré-mobiliados). Outro bom lugar é ver o Co-op da sua universidade – na Universidade de Tóquio, pelo menos, eles têm serviço de apoio para encontrar apartamentos para alunos.

Claro, existem os dormitórios de faculdades ou os da JASSO. Para maiores informações, consulte os respectivos sites (o link da JASSO é para o escritório de Kantou).

Situação das Moradias em Tóquio

De acordo com o livrinho, a média que os estudantes japoneses pagam de alguel é ¥60.000 por mês em Tóquio e províncias adjacentes. No centro de Tóquio (dentro dos 23 tokubetsu-ku) é mais caro.

O que procurar em um apartamento

  1. Preço do alguel (incluindo custos de água, luz, gás e Internet): Isso depende do seu orçamento;
  2. Tamanho: Os quartos são medidos por metros quadrados, número de tatamis (um tatami tem cerca de 1m x 1.80m);
  3. Layout do quarto: No Japão, existe o seguinte sistema de letras:
    • 1 Room: Um quarto
    • 1K: Um quarto e uma cozinha
    • 1DK: Um quarto, uma sala de jantar e uma cozinha (“Dining” e “Kitchen”; podem ser juntos)
    • 1LDK: Um quarto, uma sala de estar, sala de jantar e cozinha (tem o “Living” também)
    • 2LDK: Dois quartos e o restante
  4. Distância do seu local de estudo/trabalho: Calcular o preço da passagem (através de sites como o Yahoo Japan Transit e o Hyperdia, que mostram o preço do Teikiken normal) e o tempo de viagem;
  5. A estrutura do prédio e a idade: Bons para saber o quão resistente a um terremoto o seu prédio é, se ele esquenta ou esfria muito, entre outros. Eu não tenho muita ideia dos tipos de prédios que existem, então não vou me aventurar a escrever aqui
  6. Distância da estação: Coloque na sua conta também o preço possível de estacionamento de bicicleta, etc.
  7. Direção da janela: As janelas para o sul indicam apartamentos mais frios no verão e mais quentes no inverno;
  8. Números de quartos vizinhos, ou se seu quarto fica na quina do prédio: São apartamentos mais cobiçados por terem mais janelas e menos vizinhos;
  9. Tipo de fogão: Leve em consideração número de bocas, e se é a gás ou é elétrico (lógico, isso se você cozinhar);
  10. “Bunjo Chintai” (分譲賃貸): Apartamentos inicialmente feitos para venda, possuem melhor estrutura que os feitos inicialmente para aluguel.

Custo de mudança

Prepare seu bolso: o custo para mudar é caro. Muito caro. Espere de 2 a 4 vezes o preço do primeiro aluguel como dinheiro de depósito (que será devolvido quando você se mudar para fora caso não haja nenhum reparo a ser feito, o chamado shikikin ou 敷金) e o dinheiro “da chave” (que é como um “agradecimento” para quem está alocando o apartamento, chamado de reikin ou 礼金). Este último não é devolvido.

Às vezes, você terá que pagar para a imobiliária uma comissão, o tesuuryou (手数料), que custa em geral um mês de aluguel + 5% de imposto, e um seguro da propriedade (cerca de ¥20.000).

Se você for usar caminhão de mudança, prepare-se para outra facada: uma mudança custa entre ¥30.000 e ¥60.000 se utilizar empresas como a Nittsuu ou a Akabou (existem também empresas brasileiras no Japão). Você pode enviar também por takkyubin: por ambas a Sagawa e a Kuroneko, o envio de uma caixa de 160 cm (altura + largura + profundidade, e no máximo 30 kg) sai por ¥1.790 cada dentro de Kantou.

Prepare-se também para comprar móveis, caso seu apartamento não seja mobiliado.

Tempo de mudança

Estima-se que demora até um mês para achar um apartamento, até uma semana para conseguir aprovação do dono, e duas semanas para o contrato. Não esqueça de cancelar o contrato de onde você mora antes, mudar a Internet, etc. com antecedência.

Em geral, você não pode reservar um quarto de graça. Mas se a questão for algumas semanas, pode-se negociar isso.

Fiador

O fiador (hoshounin ou 保証人) é a pessoa que vai bancar caso você dê calote. Imprescindível para qualquer transação imobiliária. É possível conseguir que a universidade seja sua fiadora (depende da universidade, claro), ou pagar para uma empresa ser. Mas fique atento que existem lugares que eles só aceitam pessoas físicas.

No caso da Universidade de Tóquio, vá para o Office of International Student Support Group, no primeiro andar do International Center.

Existem casos de seu fiador ser rejeitado. Por exemplo, se a pessoa estiver aposentada, ou não tem renda, ou vive de pensão, ou acabou de começar a trabalhar, ou não fala japonês, ou não vive no Japão, ou não é uma empresa registrada no Japão.

[Atualizado em 25/06/2010]:

A palavra “garantidor” como escrita anteriormente até existe no português, mas é usado no sentido de “fundo garantidor”, e não nesse caso. Agradecimentos à Maili por me lembrar da palavra “fiador” (que eu tinha esquecido completamente) e colaborar com o não assassinato da Língua Portuguesa.

Burocracia

Em geral, os documentos necessários são: cópia do Gaikokujin Touroku, comprovante de renda, cópia do cartão da universidade e comprovante de renda do seu garantidor.

Observar no contrato (ou pedir para explicarem para você) sobre cláusulas de término de contrato antes do tempo (quanto tempo antes você deve avisar e você terá que pagar algo pela quebra do contrato), e se você terá que pagar para renovar o contrato.

O que não se deve fazer

  1. Barulho;
  2. Morar com namorado(a) em geral não é opção no Japão, e os japoneses em geral não alugam apartamento caso os dois não estejam casados;
  3. Morar gente escondida: Isso é ilegal. Apenas os nomes que constam no contrato podem morar no local;
  4. Deixar de pagar a conta: Não faça isso, especialmente se você estiver voltando para o país de origem e quiser dar calote. NÃO FAÇA ISSO!
  5. Não prestar atenção na coleta de lixo: Lixos queimáveis nos dias de lixos queimáveis, lixos não-queimáveis nos dias certos, garrafas PET’s, latas e vidros também. E se tiver lixo grande, ligar para a prefeitura ir buscar (e pagar o preço devido).

Outras observações

  1. Olhar o estado de manutenção das áreas comuns do prédio;
  2. Verificar como fica o trem em horário de pico;
  3. Verificar nível de barulho, de pessoas andando por perto, se trem vai atrapalhar seu sono, se tem coisas por perto (como supermercado, lojas de conveniência, banco e correio), disponibilidade para estacionar sua bicicleta, proximidade a hospitais, etc.;
  4. Quantidade de luz, segurança (câmeras de vigilância, etc), elevadores, número e locação de tomadas, conexão de Internet (se existe fibra óptica, por exemplo), etc.
  5. Se você for mudar fora da temporada de mudança, é possível tentar negociar o preço do aluguel, afinal muitas vezes é mais vantajoso para a empresa alugar por um valor menor do que esperar até a próxima temporada.
  6. Infelizmente, existem pessoas de má índole que tentam ficar com o dinheiro do seu depósito. Antes de você se mudar, tire fotos de tudo que você julgar meio estragado: se o tatami estiver gasto, se o parede estiver descascando, se o o vaso sanitário tiver rachadura, etc. E claro, fale com o dono antes de se mudar para deixar claro que já estava lá quando você chegou.

Discriminação contra estrangeiros

Eu diria que é uma discriminação justificada.

Eu li esse artigo do Japan Today que fala sobre o problema. Pelo menos, eu diria parte dele (que eu não sabia por sinal). Trata do simples motivo que se o agente da imobiliária ou o dono não deixam bem claro o conteúdo do contrato para o inquilino, este pode processá-lo e ganhar facilmente depois. E caso o inquilino seja estrangeiro que fale mal japonês e o dono fale mal inglês, aí com certeza teremos problemas.

Mas acho que não é só isso. Eu pelo menos conheci uma coreana pós-doutoranda que precisou o orientador dela (professor da Universidade de Tóquio) ir praticamente implorar para o dono para conseguir liberação.

Existem sim alguns outros fatores mais agravantes. Alguns estrangeiros levam a família inteira para morar no apartamento (entenda-se mais de 10 pessoas, e todas fora do contrato, obviamente), ou também voltam para o país sem pagar as contas devidas e deixando lixos grandes para trás (problema muito grande com brasileiros dekaseguis depois da crise econômica), sem contar outros inúmeros problemas que fazem os donos dos apartamentos verem com maus olhos os estrangeiros.

De qualquer forma, qualquer seja o motivo, não importa se você é aluno pós-graduando filho do imperador de não sei aonde – sendo estrangeiro, eles preferem evitar problema. E resumindo: Cerca de apenas um terço dos apartamentos sendo locatados são disponíveis para estrangeiros.

Então por favor, se for procurar seu apartamentozinho no Japão, contribua não sujando a imagem dos estrangeiros no mercado imobiliário.

Dando o calote em Soshigaya

Ok, eu não darei o calote em Soshigaya, e espero que ninguém ai dê. Mas só uma observação que nos meses que a bolsa cai depois do aluguel (como esse mês, que o aluguel cai dia 27 e a bolsa 29) e você não tiver dinheiro o suficiente na sua conta corrente para pagar, não se preocupe! Eles vão mandar um boletozinho para você pagar depois na konbini.

Crédito dessa informação para a Tiali, que foi perguntar lá na secretaria.