E esta viagem chega ao fim

Caríssimos leitores do blog,

Depois de 5 anos e meio, o Kenji no Tabi (a Viagem do Kenji) chega ao fim. Tudo começou com um sonho antigo de vir para o Japão, e agora termina com a sensação de objetivo de vida cumprido.

Foram muitas conquistas e momentos felizes. Conheci e casei com a Elis, consegui meu mestrado e doutorado em uma das melhores universidades do mundo, tirei o N1 do Noryoku Shiken, aprendi shamisen, conheci muito da cultura e do interessantíssimo país que é o Japão, e conheci muitas pessoas que fizeram dessa jornada uma experiência ainda mais inesquecível. Claro que no meio houve muitos obstáculos e dificuldades, mas como dizem: “No fim, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque não chegou ao fim”. Este degrau da minha vida chegou ao fim; agora irei para o próximo degrau e continuarei o que ainda será uma longa caminhada.

Quero agradecer aos leitores deste blog, alguns dos quais tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente por aqui. Muito obrigado pelas 170,000 visitas nesses 5 anos e meio (contados dia 29 de Setembro de 2014), e espero que os mais de 400 posts tenham sido úteis. Fico muito feliz quando o que eu escrevi aqui é de alguma ajuda para um alguém!

Sobre o blog, deixarei ele por aqui por enquanto. Como não estarei mais no Japão, não sei se poderei mais ajudar vocês com muita coisa. Além disso, o blog também corre o risco de de ter conteúdo desatualizado. Se vocês virem algo desatualizado, por escrevam nos comentários para outras pessoas saberem o que mudou. Eu não sei se conseguirei dedicar muito tempo ao blog (vide o baixo número de postagens do último ano), então já peço desculpas adiantado pela eventual falta ou demora nas respostas.

Novamente, muitíssimo obrigado! Desejo sucesso a todos!

Abraços,

Kenji

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Tensai no Uta-hime

Pelo título do post, alguns já devem saber de quem eu estou falando: tensai no uta-hime (天才の歌姫) traduz-se para algo como “cantora prodígio”. Já muito conhecida entre os nipo-brasileiros, a Melissa Kuniyoshi é descendente de japoneses de terceira geração, e por causa da sua habilidade no canto, já apareceu diversas vezes no Raul Gil e até na TV japonesa. E desta vez, ela compareceu pessoalmente a um programa da Fuji TV.

Ela é natural de Santo André e frequenta(va?) o Uruma – Associação Okinawa de Santo André. Por sinal, é o mesmo lugar que eu aprendi sanshin, e onde eu toquei uma vez com ela quando ela tinha apenas 4 anos. Ela cantou a música Thinsagu nu Hana (てぃんさぐぬ花), o meu sensei e outros conhecidos tocaram violão, sanshin, etc., e eu fiquei com a parte do violino. A parte interessante dessa história toda é que nos treinamentos, como essa música não pede vibrato no vocal, meu sensei teve que pedir para que ela parasse de fazer o dito cujo do vibrato (e para quem sabe um pouco de técnicas de canto, deve saber que vibrato não é algo que crianças de 4 anos consigam fazer normalmente. Aliás, vários adultos não conseguem fazer também).

De qualquer forma, cá estou eu fazendo um ouen (応援, “torcida” em japonês) para a Melissa aqui no meu humilde blog. E para quem ainda não a conhece, veja o vídeo dela na Fuji TV:

Por sinal, o lugar que ela aparece cantando no começo do vídeo é o karaoke da minha tia.

Discriminação

Discriminação (seja ela por raça, nacionalidade, sexo, opção sexual, etc.) é um problema sério que acontece em todo o mundo – e o Japão não foge à regra. Aliás, como esse tema foi perguntado para mim por futuros bolsistas, resolvi falar um pouco sobre ele.

Todos já devem saber sobre discriminação sexual (danjo sabetsu ou 男女差別) aqui no Japão. O Japão é um país com raízes conhecidamente machistas, e isso se estende até os dias de hoje em diversos ambientes, inclusive o corporativo.

Pelo que eu percebo, como a população japonesa é altamente homogênea, racismo (jinrui sabetsu ou 人類差別) está altamente correlacionado com xenofobia (gaikokujin ken’o ou 外国人嫌悪, também conhecido como gaikokujin kyoufushou ou 外国人恐怖症). E pasmem: nenhum dos dois comportamentos são condenados pela legislação japonesa. Não existe punição para quem tratar com desprezo (para não mencionar o pior) alguém por causa da sua raça ou nacionalidade. E isso resulta em lugares que não contratam estrangeiros de modo algum (não importando se a pessoa sabe falar japonês fluentemente), apartamentos que não aceitam estrangeiros, e até hotéis que não aceitam. O que é no mínimo estranho para um país que quer se internacionalizar.

Por fim, eu nunca ouvi falar de homofobia (douseiai ken’o ou 同性愛嫌悪, conhecido também como douseiai kyoufushou ou 同性愛恐怖症) por aqui, mas também não posso afirmar que não existe.

De qualquer forma, devo dizer também que discriminação é algo que infecta apenas algumas pessoas. Embora eu já tenha sentido xenofobia por aqui, muitos japoneses também já me trataram muito bem. E xenofobia só chegará a ser um problema maior se você estiver pensando em trabalhar e passar bastante tempo por aqui; no mais, é só ignorar as besteiras que algumas pessoas dizem esporadicamente.

Observações:

  • A palavra “racismo” não existe em japonês. “人類差別” significa “discriminação” no sentido de “diferenciação”, e não tem conotação negativa necessariamente.
  • O Japan Times publicou um comentário que eu achei interessante relacionado aos “flyjin” (termo criado para denominar pejorativamente as pessoas que saíram do Japão depois do terremoto de Sendai)

[Atualizado em 17/07/2011]:

Uma demonstração lamentável de xenofobia no Japão. O incrível é que a própria deixa que um protesto assim aconteça.

Extraído da Wikipedia: O Artigo 14 da Constituição Japonesa fala que todas as pessoas (versão inglesa) ou cidadãos (versão japonesa) são iguais perante a lei, baseado em raça, crença, sexo, etc. Contudo, o Japão não possui leis civis que penalizam discriminação cometida por qualquer cidadão, empresa ou organização não-governamental.

 

Casamento

Dia 04 de setembro foi um dos dias mais felizes da minha vida, e queria compartilhar minha felicidade com todos!

Muito obrigado a todos por tudo! E muito obrigado do fundo do coração à minha esposa Elis!