Job Hunting no Japão

Shuushoku katsudou (就職活動) ou shuukatsu (就活) é quando os japoneses saem à procura de emprego quando chegam próximos ao fim da graduação ou pós-graduação.

Aqui, quem procura emprego é dividido como recém-formado (shinsotsu ou 新卒) e pessoas com experiência que estão se transferindo de emprego (tenshoku ou 転職). Para os shinsotsu, o processo começa em dezembro do penúltimo ano do curso. Os alunos procuram feiras de empregos (job fair ou ジョブフェア) ou seminários das empresas (setsumeikai ou 説明会), fazem inscrição pelo site das empresas ou mandam currículos (履歴書), e participam de visitas às empresas (kengakukai ou 見学会) até o mês de março.

Para inscrição no processo seletivo, os alunos entram ou pelo curso normal (jiyuu oubo ou 自由応募), que é a inscrição pelo site ou dando o currículo para a pessoa do RH, ou com referência da universidade (gakkou suisen ou 学校推薦). No segundo caso, o professor ou pessoa responsável pela inserção dos alunos no mercado de trabalho assinam uma carta de referência para a empresa desejada. Depois disso, a partir de abril começam as entrevistas, que em geral são três: uma primeira com o RH, uma segunda com alguém do seu futuro departamento, e uma entrevista final. Se você for aprovado ao final, você receberá uma proposta informal (nainaitei ou 内々定) até agosto, e começará a trabalhar em abril do outro ano, depois que você se formar.

Algumas diferenças em relação aos países ocidentais:

  • Em geral por este processo, você pode escolher até no máximo o departamento quando há job matching (ジョブマッチング). O cargo em si não é possível.
  • Se não há job matching, há algo como um programa de trainee: você passará por várias áreas da empresa, e eventualmente será encaixado em algum lugar.
  • O salário de entrada é em geral padrão para todos os shinsotsu, e pode ser visto no site da empresa.
  • Algumas poucas empresas possibilitam fazer parte do processo seletivo em inglês.

O currículo é trabalhoso de ser feito. Tirando empresas que permitem que você aplique via website, muitas empresas pedem que você entregue o currículo em papel – e preferencialmente escrito à mão (para mostrar o seu esforço). Aqui vão algumas dicas para preencher o currículo em japonês:

  • Os currículos seguem um padrão bem definido. Você pode comprar o papel para currículo em lojas de conveniência, bazares, papelarias, etc.
  • Coloque suas informações pessoais na parte de cima do currículo. Isso inclui nome, endereço, e-mail, telefone, idade e até foto 3×4.
  • Coloque a data de preenchimento do currículo, que está no topo superior da primeira folha.
  • Para o histórico escolar e experiência de trabalho, você deve colocar tudo em ordem cronológica do mais antigo para o mais recente. Os anos devem preferencialmente ser na forma japonesa (usando Showa, Heisei, etc. ao invés de 19xx ou 20xx).
  • No histórico escolar (学歴), escreva as datas de entrada e formatura de todos os seus cursos principais: ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado. Coloque o nome de todas as instituições até o departamento completo. Exemplo: 平成23年10月 東京大学大学院xx研究科xx学科 入学 em uma linha, e 平成26年09月 東京大学大学院xx研究科xx学科 博士課程卒業予定 na linha debaixo
  • Na experiência de trabalho (職歴), escreva as datas de entrada e saída de todas as empresas (ou pelo menos as mais relevantes), com o nome completo das instituição. Exemplo: 平成23年10月 株式会社xxxx 入社
  • Quando for escrever a data de saída de uma empresa, escreva o motivo também. Exemplo: 平成26年09月 xxxxにより 退社
  • A segunda página costuma diferir bastante entre os tipos de currículo, mas em geral você terá que escrever sobre kibou douki, jiko PR e shumi
  • Kibou Douki (希望動機): Escreva o que você fez até agora (de preferência mostrando resultados quantificadamente, como por exemplo aumento em 20% nas vendas) e com o que você quer trabalhar na empresa (incluindo como a sua experiência pode vir a ser útil)
  • Jiko PR (自己PR): Espaço para falar bem de si mesmo. Exemplo: “Sou comunicativo”, etc.
  • Shumi (趣味): Escreva sobre seu hobby. Em alguns currículos, eles falam em especialidade (tokugi ou 特技) e atividades extra-curriculares (bukatsu ou 部活). Escreva não somente o que você fez, mas as coisas importantes que você aprendeu
  • Existirá também um espaço para certificações (shikaku ou 資格). Escreva sobre testes de língua, como a pontuação de TOEIC e TOEFL, ou o nível de Japanese Language Proficiency Test (Nihongo Noryoku Shiken ou 日本語能力試験). Se tiver carteira de motorista japonesa (não vale a internacional), escreva também
  • Escreva tudo isso a caneta preta e com letra bonita. E sem rasuras
  • Escreva também o shokumukeirekisho (職務経歴書), que é um documento mais detalhado sobre sua experiência de trabalho (caso você tenha). Escreva sobre o que você fez em cada empresa e cargo ocupado. Este documento pode ser feito no computador e existem templates para isso na internet (ele não tem uma forma tão rígida quanto o rirekisho)
  • Se necessário, escreva também uma cover letter

E por fim, aqui vão algumas dicas sobre o processo seletivo em si:

  • Existe uma vestimenta padrão para o processo, que inclui o tipo e cor de terno, camisa, etc. Como eu pessoalmente não sei o traje certo, vá para uma loja de ternos mais próxima e pergunte (opções relativamente baratas são o Aoki ou Aoyama, mas espere gastar em torno de 30 mil ienes)
  • Quando for entregar o seu currículo, não entregue ele amassado que nem saco de pão. Leve o currículo em uma pasta, tire-o dela antes de entregar e entregue – ou entregue em um envelope
  • Participe de setsumeikais, kengakukais, etc. Eles podem dizer que não levarão isso em consideração no processo, mas isso nem sempre é verdade
  • Existem empresas que procuram estrangeiros ativamente, existem outras que seu currículo vai direto para o lixo. Infelizmente é assim, então não perca seu tempo com o segundo caso
  • Para estrangeiros, ter formação em universidade japonesa e experiência de trabalho no Japão conta bastante. Uma faculdade no exterior, por melhor que seja, pode não significar nada. Existem também empresas que ativamente rejeitam quem tem experiência no exterior por achar que essas pessoas “vão causar conflitos”
  • Os salários são relativamente padronizados no Japão. Então alguns empregos com salários baixos no Brasil tem salário alto no Japão, assim como o inverso também vale

Boa sorte para aqueles que estão procurando emprego!