COLING 2012 – Mumbai, Índia (Parte 4)

Chegado o último dia, eu peguei um táxi para o aeroporto, onde comprei omiyages e peguei o voo de volta para Narita com escala em Delhi.

Agora eu vou falar de uma última coisa que eu não falei ainda nos posts dessa minha viagem: a culinária indiana. Na verdade, eu comi quase somente a comida da conferência, então não sei o quanto ela reflete o resto da comida indiana. Mas antes de mais nada, um alerta: não coma nada de barraquinhas de rua e não beba água da torneira ou de garrafas com o lacre suspeito de estar aberto. E faça seguro-viagem porque nunca se sabe quando virá uma dor de barriga ou intoxicação alimentar.

A base da comida indiana é verduras, vegetais, arroz e especiarias. Eles usam bastante curry (aliás, tudo tem gosto de curry) e abusam de coisas apimentadas. E eles sempre escrevem se o prato é veg (vegetariano) ou non-veg (não vegetariano, ou seja, frango). De vez em quando, eles colocam ovo também, mas deixam bem claro que é ovo – existem inclusive lugares que vendem “egg only”.

Para aqueles que comeram o curry indiano no Japão, a comida daqui é mais ou menos isso. Com a diferença que o nome é diferente – eles diferenciam cada tipo de prato, colocando um nome em alguma das línguas indianas. Eu pessoalmente não guardei nenhum nome não; na verdade, eu mal sei o que eu comi nessa semana. Uma das poucas comidas que eu sei é o BigMac indiano, que eu comi na minha conexão em Delhi. Ele é basicamente dois hambúrgueres (de frango, porque vaca é sagrada), alface, queijo, molho especial (que parecia molho de kebab), cebola, picles e um pão com gergelim – e não é nenhum pouco bom. Mas o resto da comida, para quem aguenta comida apimentada e suporta uma semana de curry, é bem bom.

No fim, desses dias que eu passei na Índia, eu tenho que admitir que minha experiência foi bem interessante e melhor que eu imaginava – principalmente quando eu me acostumei com a bagunça daqui. Mas acho que se for para voltar, eu gostaria que desse pelo menos para ver o Taj Mahal. E por sinal, Taj Mahal Hotel não vale.

COLING 2012 – Mumbai, Índia (Parte 3)

Depois da minha apresentação, eu resolvi fazer um passeio. Para isso, eu reservei no dia anterior uma excursão pelo Namaste City Tour por e-mail, e eles foram bem ágeis em resolver tudo. No fim, um passeio de metade de um dia ficou por Rs2300 (US$46) para uma pessoa mais gorjeta do motorista mais qualquer taxa de estacionamento ou pedágio (no meu caso foi de Rs20). O motorista me pegaria e me deixaria no meu hotel, e o pagamento seria feito diretamente com ele. Por sinal, nesse passeio é apenas eu no carro com ar condicionado, e se eu quisesse guia em inglês, seria mais Rs1000.

Mas antes da excursão, eu precisava voltar para o hotel para deixar minhas coisas. Para isso, eu peguei o famosíssimo auto-rickshaw indiano. Lembram que eu contei da minha experiência em um táxi por aqui? Pois é, andar de auto-rickshaw faz o táxi parecer Montanha Encantada de parque de diversões. Além da loucura do trânsito, imagine uma bicicleta coberta motorizada, sem suspensão, aberta nas laterais e com carros passando a uns 10cm. Sorte ainda que meu motorista andava lentamente comparado com os outros, e que o caminho do IIT Bombay até meu hotel não tem tantos buracos assim.

Dentro do auto-rickshaw

Dentro do auto-rickshaw

No passeio, primeiro passamos em alguns lugares famosos de Mumbai de carro, como a lavanderia ao ar livre, a estação Chhatrapati Shivaji, a corte de Mumbai e a central da polícia. Em seguida, paramos para ver o Gateway of India e o Taj Mahal Hotel.

Gateway of India

Gateway of India

Taj Mahal Hotel

Taj Mahal Hotel

Depois, continuamos de carro pelo Marine Drive, paramos rapidamente para ver o Mumbai Hanging Gardens, e por fim, passamos de carro por alguns lugares que eu não lembro o nome – ou melhor, eu não entendi o inglês (?) do motorista.

Marine Drive

Marine Drive

Mumbai Hanging Gardens

Mumbai Hanging Gardens

COLING 2012 – Mumbai, Índia (Parte 2)

O fato de dormir apenas 5 horas e esperar uma hora para o ônibus sair teve um lado bom: ver um macaquinho andando em frente ao hotel. Aliás, além de andar na frente do hotel, o macaquinho ficou atazanando um cachorro e até montou cavalinho nele. Aliás, falando de animais, Mumbai tem uma quantidade razoável de cachorros, corvos e algumas vacas passeando por aí.

A conferência bienal COLING 2012, que aconteceu no IIT Bombay (Indian Institute of Technology Bombay) foi bem parecida com as outras que eu fui (a JSAI 2011 e a IEEE ICSC 2011), tirando um detalhe: suas proporções. Além dela ser a segunda conferência melhor conceituada da área de Linguística Computacional, ela contou com cerca de 1200 submissões de artigo, uns 300 artigos aprovados e mais de 700 participantes.

COLING 2012 (desenhado em areia)

COLING 2012 (desenhado em areia)

De qualquer forma, sobre a conferência em si, o programa incluía workshops nos dias 8, 9 e 15 (que eu não participei), apresentações dias 10, 11, 13 e 14 (sendo meu poster no dia 14), e uma excursão no dia 12, além de outras atividades culturais. Além disso, ela tinha todo o transporte, almoços e um banquete no dia 11 inclusos.

Como o conteúdo da conferência não deve interessar muito para os leitores desse blog, pularei direto para a excursão. Foi combinado do ônibus sair do hotel às 6h30 (saiu de fato às 7h15) e juntar todos os participantes no IIT Bombay para sair de lá às 7h30 (saímos às 9h)… acho que vocês estão vendo onde isso vai dar, certo? Uma parte da impressão que ficou para mim da Ìndia é que eles o país em diversos aspectos é parecido com o Brasil: país em desenvolvimento, com desigualdade social, pessoas bem sociáveis e altamente desorganizado. A Ìndia ainda assim consegue ser mais desorganizado que o Brasil, se é que isso é possível – o que é estranho, porque eles bem que tentam se organizar direito.

Tirando a bagunça generalizada, a excursão foi para Karla e Bhaja Caves, que são monastérios esculpidos em rocha. Por causa da falta de tempo, acabamos indo apenas para o Karla Caves – embora alguns dos ônibus foram para o Bhaja Caves, mas chegaram lá depois de escurecer e não deu para ver nada. O Karla Caves começa com uma subida de 20 minutos na montanha, e conta com o monastério no topo.

Entrada da Karla Caves

Entrada da Karla Caves

Karla Caves

Karla Caves

No dia seguinte (quinta-feira) à noite, foi o programa cultural da conferência: uma apresentação de tabla com violino e uma outra de cítara com tabla. Tabla é um instrumento de percussão, e cítara é como um violão.

Table e violino

Tabla e violino

Cítara e Tabla

Cítara e Tabla

Por fim, chegou sexta-feira, dia da apresentação do meu poster, que no final foi muito bem.

Poster (com o meu orientador)

Poster (com o meu orientador)

E depois da apresentação, eu resolvi pegar o resto do dia de folga e passear por Mumbai. Meu passeio fica para o próximo post.

COLING 2012 – Mumbai, Índia (Parte 1)

Do dia 8 a 15 de dezembro deste ano aconteceu a COLING 2012 (24th International Conference on Computational Linguistics). Assim, eu fui para Mumbai, Índia, apresentar um poster sobre a minha pesquisa. Mumbai (antigamente chamada de Bombay) é a maior cidade da Índia e fica na província de Maharashtra, no oeste do país.

Dá para se chegar do Japão em voo direto pela ANA, ou voo com escala em Delhi pela Air India, além de outras opções. Eu fui pela Air India mesmo que é mais barata (embora a universidade reembolse o valor): peguei meu voo em Narita às 11h30 do dia 9 e cheguei em Delhi às 18h do mesmo dia no horário local, contando a diferença de fuso de 3h30. Em Delhi, é necessário passar pela imigração, onde eles verão seu visto. No caso de brasileiros, eles também pedem um certo documento sobre vacinação que o agente da imigração não exigiu por eu ter vindo e por eu morar no Japão.

O segundo voo saiu atrasado, e eu acabei saindo do aeroporto de Mumbai só depois das 23h30. Na saída, eu fui para o guichê de táxis pré-pagos, que fica dentro do saguão à esquerda. Junto dele ficam outras empresas de táxi também, mas fui aconselhado a ir de pré-pago para evitar que o motorista dê uma volta maior só para ganhar mais. Depois, fui para a fila de táxis, que fica à direita depois da saída. Se tiver dúvidas onde é o local, pergunte para os seguranças uniformizados onde a fila fica. Em hipótese alguma pegue os táxis que ficam esperando os turistas na saída, porque há diversas ocorrências de golpes registrados contra esses taxistas. A minha corrida de táxi até o hotel, que fica a menos de 4km do aeroporto, ficou por Rs280 (cerca de US$5,60) mais uma gorjeta de Rs50 a 100. Em geral, corridas dentro de Mumbai, por mais longas que sejam, dificilmente passam de Rs800.

A viagem de táxi foi algo… emocionante! Aliás, o trânsito todo de Mumbai faz dirigir na Marginal Tietê em horário de pico parecer brincadeira de criança. Comece pelo fato que faixas na pista são inexistentes, e mesmo que existam, os motoristas não respeitam. E quando eu digo faixas na pista, muitas vezes isso inclui a faixa central que separa as duas mãos. Segundo, semáforo é também completamente inútil. Ninguém respeita eles – nem mesmo os pedestres, o que gera um bolo de carros, ônibus, auto-rickshaws, caminhões e pessoas querendo atravessar o cruzamento ao mesmo tempo. Além disso, a maior parte dos motoristas fazem barbaridades no volante: fecham carros a todo instante, fecham cruzamento, andam na contramão, tudo absolutamente normal. E para finalizar, buzinando a todo segundo literalmente.

Passei um tempo razoável no táxi, porque o taxista não sabia exatamente onde era o hotel, não sabia ler o mapa que eu tirei do Google Maps (maior parte não sabe ler mapas) e o sistema de endereço consegue ser pior que o japonês. Só para se ter uma ideia, o endereço oficial do meu hotel é algo como “perto da rua principal X”. Não dá nem o número da rua X para facilitar a localização do hotel, e mesmo que desse, não ia adiantar porque as ruas não têm numeração. No fim, eu fui chegar no hotel quase 1 da manhã. E como me disseram que o ônibus fretado da conferência sairia às 6h30, foram cerca de 5 horas se sono. Obviamente, o ônibus na verdade chegou no meu hotel às 6h30 e saiu só às 7h30, porque as coisas parece que funcionam assim por aqui. Mas isso eu falarei nos próximos posts.