Preparativos para o JSAI 2011

A primeira conferência em que eu irei apresentar é a Conferência Anual da Sociedade Japonesa para Inteligência Artificial (JSAI 2011), a ser realizada dos dias 1 a 3 de junho, em Morioka, Iwate.

Eu fiz a inscrição em janeiro, enviei o paper no começo de maio e estou terminando os preparativos para ir. Chegou a folha para pagamento, que eu paguei hoje no Yuucho Ginkou, e agora começarei a ver hotéis e transporte para lá. A secretária do laboratório também está me ajudando com a papelada (ou melhor, eu entreguei o recibo do pagamento da conferência e o programa para ela, e ela falou que vai fazer a papelada e dará para eu assinar depois).

Só estão me perguntando se está tudo bem com a conferência sendo em Iwate (lembrem que o terremoto aconteceu naquela região). Como eles não cancelaram a conferência e o shinkansen já voltou a passar, acho que não terá maiores problemas.

[Atualizado em 31/05/2011]:

Antes de partir para Morioka, eu entreguei um papel com o plano de viagem para a secretária do laboratório. Também entreguei os recibos (ryoushuusho ou 領収書) do shinkansen e do hotel. O recibo deve vir com meu nome com o favorecido (atena ou 宛名).

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Koshigaya Lake Town

Um bom lugar para quem quer fazer compras, o sul da província de Saitama é o lugar certo. O Aeon Lake Town na cidade de Koshigaya (acessível pela estação Koshigaya Lake Town na linha JR Musashino) possui 220.000 metros quadrados e é o maior shopping center do Japão. Ele foi construído em 2008 com dois prédios (os chamados Kaze e Mori), e já expandiu com um terceiro prédio de outlets.

Quem quiser, dá para passar um dia inteiro lá. Os preços não são os mais baratos que você pode encontrar no Japão, mas existe muita variedade. E para comer, também existem boas opções, como Krispy Kreme, Burger King, Cold Stone, entre outros.

Discriminação

Discriminação (seja ela por raça, nacionalidade, sexo, opção sexual, etc.) é um problema sério que acontece em todo o mundo – e o Japão não foge à regra. Aliás, como esse tema foi perguntado para mim por futuros bolsistas, resolvi falar um pouco sobre ele.

Todos já devem saber sobre discriminação sexual (danjo sabetsu ou 男女差別) aqui no Japão. O Japão é um país com raízes conhecidamente machistas, e isso se estende até os dias de hoje em diversos ambientes, inclusive o corporativo.

Pelo que eu percebo, como a população japonesa é altamente homogênea, racismo (jinrui sabetsu ou 人類差別) está altamente correlacionado com xenofobia (gaikokujin ken’o ou 外国人嫌悪, também conhecido como gaikokujin kyoufushou ou 外国人恐怖症). E pasmem: nenhum dos dois comportamentos são condenados pela legislação japonesa. Não existe punição para quem tratar com desprezo (para não mencionar o pior) alguém por causa da sua raça ou nacionalidade. E isso resulta em lugares que não contratam estrangeiros de modo algum (não importando se a pessoa sabe falar japonês fluentemente), apartamentos que não aceitam estrangeiros, e até hotéis que não aceitam. O que é no mínimo estranho para um país que quer se internacionalizar.

Por fim, eu nunca ouvi falar de homofobia (douseiai ken’o ou 同性愛嫌悪, conhecido também como douseiai kyoufushou ou 同性愛恐怖症) por aqui, mas também não posso afirmar que não existe.

De qualquer forma, devo dizer também que discriminação é algo que infecta apenas algumas pessoas. Embora eu já tenha sentido xenofobia por aqui, muitos japoneses também já me trataram muito bem. E xenofobia só chegará a ser um problema maior se você estiver pensando em trabalhar e passar bastante tempo por aqui; no mais, é só ignorar as besteiras que algumas pessoas dizem esporadicamente.

Observações:

  • A palavra “racismo” não existe em japonês. “人類差別” significa “discriminação” no sentido de “diferenciação”, e não tem conotação negativa necessariamente.
  • O Japan Times publicou um comentário que eu achei interessante relacionado aos “flyjin” (termo criado para denominar pejorativamente as pessoas que saíram do Japão depois do terremoto de Sendai)

[Atualizado em 17/07/2011]:

Uma demonstração lamentável de xenofobia no Japão. O incrível é que a própria deixa que um protesto assim aconteça.

Extraído da Wikipedia: O Artigo 14 da Constituição Japonesa fala que todas as pessoas (versão inglesa) ou cidadãos (versão japonesa) são iguais perante a lei, baseado em raça, crença, sexo, etc. Contudo, o Japão não possui leis civis que penalizam discriminação cometida por qualquer cidadão, empresa ou organização não-governamental.

 

LaTeX em japonês

LaTeX, para aqueles que não estão familiarizados, funciona como um processador de textos e é bastante utilizado para a produção de textos matemáticos e científicos devido à sua alta qualidade tipográfica.

O que isso quer dizer? Imagine você utilizando o Microsoft Word (ou OpenOffice Writer, Libre Office Writer, Lotus Symphony, Google Docs, etc). Se você já escreveu um artigo ou uma tese em qualquer processador de texto desses, você já deve ter percebido a dificuldade que é fazer a formatação sair certa, adicionar índices, tabelas, gráficos, bibliografia e referências com formatos certos e numerações corretas mesmo depois de muitas mudanças.

Agora, usando LaTeX, com essas linhas aí embaixo, você já consegue a casca para um artigo para uma conferência da IEEE:

\documentclass[conference]{IEEEtran}

\begin{document}

\title{Title of the article}

\author{
\IEEEauthorblockN{Author 1}
\IEEEauthorblockA{University X\\Email: author1@universityx.edu}
}

\maketitle

\begin{abstract}
Abstract of the paper

\section{Section 1}
Contents of section 1

\subsection{Subsection 1.1}
Contents of subsection 1.1

\bibliographystyle{IEEEtran}
\bibliography{IEEEabrv, ./bibliography.bib}

\end{document}

O LaTeX é um pouco complicado para aprender no início, mas depois de aprendido, ele economizará muito tempo na hora de escrever teses e artigos, principalmente se as conferências já tiverem templates pré-definidos e se você utilizar o BibTeX (aliás, diversos sites como Google Scholar e CiteSeer oferecem dados bibliográficos em formato BibTeX).

Para aqueles que usam Windows, um bom modo de começar a mexer com LaTeX é utilizar o MikTeX.

Depois dessa pequena apresentação de LaTeX, a continuação do post é para aqueles que já têm um pouco de experiência em LaTeX e precisam escrever em japonês. Para quem já tentou, sabe que isso é bem difícil. Então para quem utilizar templates baseados no jsarticle.cls e jsbook.cls (como é o caso do template da tese de mestrado da Universidade de Tóquio, Department of Creative Informatics) e Ubuntu Linux, ficam aqui as dicas:

  • Usando a codificação EUC-JP no arquivo .tex, compile usando o comando “platex”. Se tiver arquivos .bib, use o comando “jbibtex” para estes. Para isso, instale qualquer programa que tenha “ptex” e “jbibtex” no nome no repositório. E não se esqueça de rodar “platex”, “jbibtex”, “platex”, “platex” nessa ordem para compilar os arquivos
  • Use o comando “dvipdfmx” no arquivo .dvi para transformá-lo em .pdf, se desejar
  • Se tiver figuras, o “platex” não aceita as extensões .png, .jpg, etc como o “latex2e”. Utilize o comando “sam2p <arquivo de entrada> EPS: <arquivo de saída>” para transformá-los na extensão .eps. Você pode usar o programa ImageMagick (comando “convert”) ao invés do “sam2p”, mas eu pessoalmente prefiro o segundo
  • Para instalar os arquivos .cls, copie-os para a pasta “/usr/share/texmf/ptex/platex/base” (Ubuntu). Digite “sudo mktexlsr” em seguida
  • Instale também os pacotes “poppler-data” e “texlive-science”

[Atualizado em 24/06/2011]:

  • Se você utilizar o “dvipdfmx” e der o problema “Virtual fonts nested too deeply”, instale o arquivo vf-n2bk.tar.gz no path do seu “texmf” (em geral, algo como “/usr/share/texmf”). Digite “sudo mktexlsr” em seguida
  • Se der o problema “** ERROR ** Could not find encoding file H”, rode “sudo ln -s /usr/share/ghostscript/(versão do ghostscript)/Resource/CMap /usr/share/texmf/fonts/cmap” e depois “sudo mktexlsr”
  • Se der o problema “** ERROR ** ** WARNING ** Failed to load AGL file pdfglyphlist.txt”, copie os arquivos “glyphlist.txt” e “pdfglyphlist.txt” de dvipdfmx-20100328.tar.gz para a pasta “/etc/texmf/dvipdfm” e rode “sudo mktexlsr”