Yakiniku

Depois de quase dois anos de Japão, fui a um yakiniku (焼肉) pela primeira vez! O lugar escolhido para a despedida da Maili foi o Gyukaku (牛角), que tem carne à vontade por quase ¥3.000 e 90 minutos, na loja de Shiki.

Como não fui eu quem fiz os pedidos, eu pessoalmente não sei o nome das carnes que eu comi – só sei que elas eram muito boas! Só uma dica minha: não peçam horumon (ホルモン), que são vísceras de boi ou porco. E não digam que eu não avisei!

[Atualizado em 04/06/2011]:

Yakiniku

クラスで絶対習わない日本語

Hoje, vou escrever mais um pouco de cultura útil vinda da televisão: quando usar “kudasai” com hiragana (ください) ou com kanji (下さい)? E quando utilizar a contagem de pessoas “~nin” (人) e quando utilizar “~mei” (名)?

O “kudasai” em hiragana é usado depois de verbos, como em “勉強してください”, por exemplo. Ou seja, quando você também puder utilizar o “~nasai” da linguagem informal (勉強しなさい).

Já o “kudasai” em kanji é usado quando você pede algum objeto, como em “りんごを下さい”, por exemplo. Ou seja, quando você também puder utilizar o “~choudai” da linguagem informal (りんごちょうだい).

A contagem de pessoas em japonês “~nin” é quando o número de pessoas não está previamente decidido. Por exemplo, quando é para contar quantas pessoas passam em uma catraca, ou quantas pessoas atendem a um evento aberto.

Já a contagem de pessoas “~mei” é quando o número de pessoas já está decidido. Por exemplo, quantas pessoas estão inscritas em um evento – ou seja, o número de presentes ou participantes. Pode ser também o número de pessoas quando você vai para um restaurante (eles perguntam na entrada “nanmei-sama desuka” ou 何名様ですか). Nos casos de “~mei”, pode-se utilizar também “~nin”, embora “~mei” seja mais polido.

Nagoya

Embora a gravidade da situação do acidente nuclear de Fukushima não pedisse, nós resolvemos passar o fim de semana em Nagoya (名古屋市), na província de Aichi (愛知県). Foi bom para desestressar um pouco e para curar um pouco do enjoo dos tremores menores consequentes do terremoto do dia 11.

Dessa vez, nós fomos de JR Bus saindo de Shinjuku, perto da nova catraca do sul (shin-minami guchi ou 新南口). A viagem de ida demorou cerca de 7 horas, e cada passagem (somente ida) saiu por cerca ¥3.700.

Uma das paradas da ida foi em Shizuoka, perto do Monte Fuji.

Monte Fuji visto de Shizuoka

Chegamos na estação de Nagoya (JR名古屋駅) às 18h00 da sexta-feira, dia 18. De lá, fomos para o hostel, e cono todo hostel, a diária foi de ¥3.000 pelo twin room por pessoa. Mas ao contrário do J-Hoppers por exemplo, esse hostel não valeu a pena não. Não citarei nomes para não fazer propaganda contra, mas se vocês encontrarem um hostel a 20 minutos a pé da estação de Nagoya e cujo site está desenhado em Paint, eu aconselho fortemente a procurarem outro.

Essa noite, jantamos em um dos Yama-chan (世界の山ちゃん) que circundam a estação. O Yama-chan é um izakaya que existe em várias partes do Japão, mas a matriz é em Nagoya. Sua especialidade é o Tebasaki (手羽先), um tipo de frango frito. Lá também comemos outras especialidades locais, como o Tonkatsu (豚カツ) feito com Akamiso (赤味噌).

Ao que me parece, Nagoya não tem muitos pontos turísticos. Existe o Castelo de Nagoya (Nagoya-jou ou 名古屋城), um aquário, um planetário que abriu recentemente, museus e outras coisas mais afastadas. Como nós só teríamos um dia inteiro em Nagoya, resolvemos ir no Castelo de Nagoya. Mas antes, paramos para almoçar no Planeta Grill, restaurante brasileiro self-service à vontade por ¥980, que conta ainda com diversos sucos por ¥400 e sobremesas por ¥250. Vale bastante a pena! Ele fica em frente ao Consulado Brasileiro de Nagoya, localizado a 20 minutos da estação de Nagoya (existem estações mais próximas).

Em seguida, fomos para o castelo, que fica a 20 minutos ao norte do restaurante. A entrada custa ¥500. Para quem já foi ao Castelo de Osaka, o de Nagoya é bem parecido (tirando uma estátua de peixe dourado grande que existe dentro). Mas eu não cheguei a entrar não.

Castelo de Nagoya

Por fim, fomos embora no dia seguinte à tarde, dessa vez utilizando a Willer, com passagem por ¥4.000 cada. Os ônibus de ida e volta foram muito bons, por sinal. E voltamos dessa mini-viagem com omiyages pouco convencionais: papéis higiênicos e cup lamens, que estão em falta nos mercados de Tóquio e Saitama.

Cobertura jornalística do desastre no Japão

Vou utilizar este espaço para comentar um pouco sobre a cobertura que a mídia japonesa e internacional está fazendo sobre o terremoto do dia 11, e consequentes tsunami e acidente nuclear.

A mídia japonesa e internacional (esta inclui o Brasil) têm abordagens claramente distintas sobre o material veiculado sobre os fatos relacionados ao desastre: a japonesa reproduz fielmente os dados oficiais (e somente esses fatos), enquanto a internacional tenta tirar conclusões sobre esses fatos.

O que isso implica? A mídia japonesa é literalmente “refém” dos dados que o governo repassa. Se o governo omitir dados, esses dados com certeza não chegarão à população – e de fato, muitas pessoas reclamam da falta de dados da TEPCO (Companhia de Energia de Tóquio, responsável pela usina de Fukushima). Porém, cabe ao governo controlar os dados divulgados para evitar o pânico generalizado, mas se for necessário, divulgar os que são pertinentes ao bem-estar e saúde da população.

Neste último ponto, parece-me que o trabalho está sendo bem feito. Ao meu ver, se o governo estivesse realmente “escondendo” informações, algumas informações dadas deveriam ter sido omitidas. O que parece que falta é uma previsão para quais os possíveis danos causados que possam acontecer – o que daria margem para especulações.

E com isso vamos para as mídias brasileiras e internacional. O público ocidental tem a necessidade de ouvir essa previsão, ou seja, que lhes digam o que pode acontecer com tudo isso. Consequentemente, a natureza da mídia internacional é especulativa. Isso não seria de todo ruim se os jornalistas tivessem mais expertise sobre a área e/ou escrevessem com mais responsabilidade. Esses últimos dias, eu li coisas como “Japão devastado por tsunami” (não que esteja completamente errado, mas seria interessante informar que foi apenas a parte litorânea do nordeste japonês), “Tóquio está com níveis de radiação x vezes maiores que o normal” (sendo que ainda assim, a radiação é menor que a presente em uma banana), ou até “radiação chegará nos EUA amanhã”, entre outros péssimos exemplos de jornalismo (e mais aqui).

Embora parece que a situação já esteja acalmando, se vocês quiserem ler notícias que eu considero mais confiáveis, leiam de jornais japoneses como Yomiuri, Asahi e Nikkei Shinbun (e de preferência, as versões japonesas). Eu sei que não é muito fácil, mas uma mistura de Google Translate e Rikai-chan deve dar para entender mais ou menos o que eles estão tentando falar. E mais importante ainda: leia um pouco sobre a parte científica do assunto nem que seja na Wikipedia, para que você possa ter uma visão crítica do assunto. Afinal de contas, muitos jornalistas erram localização (o infográfico do site de um certo jornal brasileiro errou a localização de Tóquio em uns 100km), unidades (confundem μSv com mSv, por exemplo), e outros erros mais grosseiros.

Como disse Sir John Beddington, Chefe da Assessoria Científica do Ministério de Defesa do Reino Unido, sobre por que a Embaixada Francesa estavam dando recomendações diferentes que a Inglesa sobre a situação japonesa: “Porque as recomendações deles não são baseadas em Ciência” (o governo francês retirou os franceses do Japão).

Sensação de tremores e enjoo pós-terremoto

Em casos que há vários terremotos seguidos e eles são longos (como está acontecendo depois do terremoto de Sendai), é normal que as pessoas sintam tremores mesmo quando não há tremores, enjoos (que nem enjoo de carros), etc. Isso é causado pelo equilíbrio da pessoa ser afetado com os constantes tremores, além do stress.

E o melhor modo para melhorar é relaxar: respirar profundamente várias vezes, tomar chá quente lentamente, alongar um pouco, entre outros.

Fonte: Asahi Shinbun

Observação: Os terremotos pequenas consequentes do efeito colateral de um terremoto grande são chamados em japonês de yoshin (余震), e em inglês de aftershock.

[Atualizado em 22/03/2011]:

Um mapa/vídeo com os yoshin. Foram mais de 600 desde o terremoto do dia 11 (14h46 JST) até o dia 22 de março (12h00 JST).