Procurando apartamentos no Japão

Para aqueles que estão procurando apartamentos no Japão, vou postar algumas dicas. Elas não são experiências próprias minhas, uma vez que eu consegui um apartamento com ajuda de conhecidos meus, mas é basicamente uma reprodução de um guia que a Universidade de Tóquio tem para os estrangeiros, com só um pequeno toque meu. Aqui vai então.

Onde procurar

A primeira pergunta legal a se perguntar para você mesmo é a área que você quer morar. Cada local tem seu preço (dentro da Yamanote, por exemplo, é absurdamente mais caro que em locais mais afastados), então é bom você começar pensando na vizinhança.

Ao escolher da vizinhança, uma boa ideia é procurar em panfletos de imobiliárias locais, pelo menos para ver o preço. Você pode também em sites como o Suumo, Yahoo Japan Real Estate ou o Leo Palace (conhecido por ser uma boa pedida para quem procura apartamentos pré-mobiliados). Outro bom lugar é ver o Co-op da sua universidade – na Universidade de Tóquio, pelo menos, eles têm serviço de apoio para encontrar apartamentos para alunos.

Claro, existem os dormitórios de faculdades ou os da JASSO. Para maiores informações, consulte os respectivos sites (o link da JASSO é para o escritório de Kantou).

Situação das Moradias em Tóquio

De acordo com o livrinho, a média que os estudantes japoneses pagam de alguel é ¥60.000 por mês em Tóquio e províncias adjacentes. No centro de Tóquio (dentro dos 23 tokubetsu-ku) é mais caro.

O que procurar em um apartamento

  1. Preço do alguel (incluindo custos de água, luz, gás e Internet): Isso depende do seu orçamento;
  2. Tamanho: Os quartos são medidos por metros quadrados, número de tatamis (um tatami tem cerca de 1m x 1.80m);
  3. Layout do quarto: No Japão, existe o seguinte sistema de letras:
    • 1 Room: Um quarto
    • 1K: Um quarto e uma cozinha
    • 1DK: Um quarto, uma sala de jantar e uma cozinha (“Dining” e “Kitchen”; podem ser juntos)
    • 1LDK: Um quarto, uma sala de estar, sala de jantar e cozinha (tem o “Living” também)
    • 2LDK: Dois quartos e o restante
  4. Distância do seu local de estudo/trabalho: Calcular o preço da passagem (através de sites como o Yahoo Japan Transit e o Hyperdia, que mostram o preço do Teikiken normal) e o tempo de viagem;
  5. A estrutura do prédio e a idade: Bons para saber o quão resistente a um terremoto o seu prédio é, se ele esquenta ou esfria muito, entre outros. Eu não tenho muita ideia dos tipos de prédios que existem, então não vou me aventurar a escrever aqui
  6. Distância da estação: Coloque na sua conta também o preço possível de estacionamento de bicicleta, etc.
  7. Direção da janela: As janelas para o sul indicam apartamentos mais frios no verão e mais quentes no inverno;
  8. Números de quartos vizinhos, ou se seu quarto fica na quina do prédio: São apartamentos mais cobiçados por terem mais janelas e menos vizinhos;
  9. Tipo de fogão: Leve em consideração número de bocas, e se é a gás ou é elétrico (lógico, isso se você cozinhar);
  10. “Bunjo Chintai” (分譲賃貸): Apartamentos inicialmente feitos para venda, possuem melhor estrutura que os feitos inicialmente para aluguel.

Custo de mudança

Prepare seu bolso: o custo para mudar é caro. Muito caro. Espere de 2 a 4 vezes o preço do primeiro aluguel como dinheiro de depósito (que será devolvido quando você se mudar para fora caso não haja nenhum reparo a ser feito, o chamado shikikin ou 敷金) e o dinheiro “da chave” (que é como um “agradecimento” para quem está alocando o apartamento, chamado de reikin ou 礼金). Este último não é devolvido.

Às vezes, você terá que pagar para a imobiliária uma comissão, o tesuuryou (手数料), que custa em geral um mês de aluguel + 5% de imposto, e um seguro da propriedade (cerca de ¥20.000).

Se você for usar caminhão de mudança, prepare-se para outra facada: uma mudança custa entre ¥30.000 e ¥60.000 se utilizar empresas como a Nittsuu ou a Akabou (existem também empresas brasileiras no Japão). Você pode enviar também por takkyubin: por ambas a Sagawa e a Kuroneko, o envio de uma caixa de 160 cm (altura + largura + profundidade, e no máximo 30 kg) sai por ¥1.790 cada dentro de Kantou.

Prepare-se também para comprar móveis, caso seu apartamento não seja mobiliado.

Tempo de mudança

Estima-se que demora até um mês para achar um apartamento, até uma semana para conseguir aprovação do dono, e duas semanas para o contrato. Não esqueça de cancelar o contrato de onde você mora antes, mudar a Internet, etc. com antecedência.

Em geral, você não pode reservar um quarto de graça. Mas se a questão for algumas semanas, pode-se negociar isso.

Fiador

O fiador (hoshounin ou 保証人) é a pessoa que vai bancar caso você dê calote. Imprescindível para qualquer transação imobiliária. É possível conseguir que a universidade seja sua fiadora (depende da universidade, claro), ou pagar para uma empresa ser. Mas fique atento que existem lugares que eles só aceitam pessoas físicas.

No caso da Universidade de Tóquio, vá para o Office of International Student Support Group, no primeiro andar do International Center.

Existem casos de seu fiador ser rejeitado. Por exemplo, se a pessoa estiver aposentada, ou não tem renda, ou vive de pensão, ou acabou de começar a trabalhar, ou não fala japonês, ou não vive no Japão, ou não é uma empresa registrada no Japão.

[Atualizado em 25/06/2010]:

A palavra “garantidor” como escrita anteriormente até existe no português, mas é usado no sentido de “fundo garantidor”, e não nesse caso. Agradecimentos à Maili por me lembrar da palavra “fiador” (que eu tinha esquecido completamente) e colaborar com o não assassinato da Língua Portuguesa.

Burocracia

Em geral, os documentos necessários são: cópia do Gaikokujin Touroku, comprovante de renda, cópia do cartão da universidade e comprovante de renda do seu garantidor.

Observar no contrato (ou pedir para explicarem para você) sobre cláusulas de término de contrato antes do tempo (quanto tempo antes você deve avisar e você terá que pagar algo pela quebra do contrato), e se você terá que pagar para renovar o contrato.

O que não se deve fazer

  1. Barulho;
  2. Morar com namorado(a) em geral não é opção no Japão, e os japoneses em geral não alugam apartamento caso os dois não estejam casados;
  3. Morar gente escondida: Isso é ilegal. Apenas os nomes que constam no contrato podem morar no local;
  4. Deixar de pagar a conta: Não faça isso, especialmente se você estiver voltando para o país de origem e quiser dar calote. NÃO FAÇA ISSO!
  5. Não prestar atenção na coleta de lixo: Lixos queimáveis nos dias de lixos queimáveis, lixos não-queimáveis nos dias certos, garrafas PET’s, latas e vidros também. E se tiver lixo grande, ligar para a prefeitura ir buscar (e pagar o preço devido).

Outras observações

  1. Olhar o estado de manutenção das áreas comuns do prédio;
  2. Verificar como fica o trem em horário de pico;
  3. Verificar nível de barulho, de pessoas andando por perto, se trem vai atrapalhar seu sono, se tem coisas por perto (como supermercado, lojas de conveniência, banco e correio), disponibilidade para estacionar sua bicicleta, proximidade a hospitais, etc.;
  4. Quantidade de luz, segurança (câmeras de vigilância, etc), elevadores, número e locação de tomadas, conexão de Internet (se existe fibra óptica, por exemplo), etc.
  5. Se você for mudar fora da temporada de mudança, é possível tentar negociar o preço do aluguel, afinal muitas vezes é mais vantajoso para a empresa alugar por um valor menor do que esperar até a próxima temporada.
  6. Infelizmente, existem pessoas de má índole que tentam ficar com o dinheiro do seu depósito. Antes de você se mudar, tire fotos de tudo que você julgar meio estragado: se o tatami estiver gasto, se o parede estiver descascando, se o o vaso sanitário tiver rachadura, etc. E claro, fale com o dono antes de se mudar para deixar claro que já estava lá quando você chegou.

Discriminação contra estrangeiros

Eu diria que é uma discriminação justificada.

Eu li esse artigo do Japan Today que fala sobre o problema. Pelo menos, eu diria parte dele (que eu não sabia por sinal). Trata do simples motivo que se o agente da imobiliária ou o dono não deixam bem claro o conteúdo do contrato para o inquilino, este pode processá-lo e ganhar facilmente depois. E caso o inquilino seja estrangeiro que fale mal japonês e o dono fale mal inglês, aí com certeza teremos problemas.

Mas acho que não é só isso. Eu pelo menos conheci uma coreana pós-doutoranda que precisou o orientador dela (professor da Universidade de Tóquio) ir praticamente implorar para o dono para conseguir liberação.

Existem sim alguns outros fatores mais agravantes. Alguns estrangeiros levam a família inteira para morar no apartamento (entenda-se mais de 10 pessoas, e todas fora do contrato, obviamente), ou também voltam para o país sem pagar as contas devidas e deixando lixos grandes para trás (problema muito grande com brasileiros dekaseguis depois da crise econômica), sem contar outros inúmeros problemas que fazem os donos dos apartamentos verem com maus olhos os estrangeiros.

De qualquer forma, qualquer seja o motivo, não importa se você é aluno pós-graduando filho do imperador de não sei aonde – sendo estrangeiro, eles preferem evitar problema. E resumindo: Cerca de apenas um terço dos apartamentos sendo locatados são disponíveis para estrangeiros.

Então por favor, se for procurar seu apartamentozinho no Japão, contribua não sujando a imagem dos estrangeiros no mercado imobiliário.

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13 comentários sobre “Procurando apartamentos no Japão

  1. Oi André,

    Não posso concordar com a parte “uma discriminação justificada”.

    Você teve experiência com os casos acima, ou apenas escutou de japoneses? Porque se não teve experiência, então está apenas se contaminando com o preconceito que eles já tem.

    A minha experiência, do meu prédio, é que eu sou um dos poucos que separo o lixo direito, que colocou o selo na bicicleta, o único que colocou o nome na caixa de correio como dizia no contrato, e me comporto “à risca”. Você acha que os japoneses fazem tudo direitinho? Grande ilusão…

    Gente sem noção tem em qualquer lugar. Mas são bem menos comuns do que você ouve. O problema do preconceito é que generaliza uma idéia (justificada, às vezes, mas na maioria dos casos não) de que o comportamento de um se reflete no todo. Pior, pois o todo é muito mais heterogêneo que a sociedade japonesa.

    Sei que você já estava com um apartamento encaminhado, então talvez não tenha que fazer a tarefa de ir de imobiliária em imobiliária e ficar ouvindo os nãos, ou pior, tirarem as fichas “boas” da tua mão porque são só pra japonês. Se tivesse, não concordaria tanto essa “discriminação justificada”.

    Abraço!

  2. Na verdade, eu não tive pessoalmente essas experiências, mas tampouco ouvi essas histórias de japoneses. A da hiperpopulação dentro do apartamento foi de relato de bolsista de outra nacionalidade, e a dos dekaseguis eu li em um artigo de uma revista brasileira aqui do Japão voltada para dekaseguis (obviamente condenando o fato).

    Contudo, o “justificada” que eu queria dizer não quis dizer com “eu concordo com isso”. Muito pelo contrário. Não acho que discriminação em nenhum caso seja correto. O que eu quis dizer foi que há fatores por trás disso que causam essa discriminação. Na verdade, foi uma forma de dizer que isso não é um PRÉ-conceito – tudo isso ocorre por um motivo, e que devemos estar cientes desse motivo para não fazer igual.

    Eu sei que é bem ruim sofrer esse tipo de discriminação e que japoneses não são santos. Também sei que muitos estrangeiros são mais exemplares que a média japonesa. Mas o problema é que existem “maçãs podres dentro do cesto” que contaminam a visão que os japoneses têm dos inquilinos estrangeiros, e que por conta disso as pessoas certas têm que arcar com as consequências.

    Por isso que eu atento ao fato dos problemas que ocorrem, e peço que cada um de nós contribua para que essa imagem do estrangeiro melhore. Não sei se é possível reverter esse quadro, mas cada um deve fazer a sua parte, como você faz a sua.

  3. Essa discussão sobre preconceito e generalização baseada em nacionalidade sempre me faz refletir o seguinte:

    Se um dia nós conhecermos por exemplo, um marroquino que fede ou um chinês que janta todo dia sem nunca lavar a louça (nada contra pessoas dessas nacionalidades! É só um exemplo!), acredito que muitos pensariam que marroquinos cheiram mal e chineses têm um senso de limpeza deturpado – o que não é necessariamente verdade. E se fossemos nós trabalhamos em uma imobiliária no Brasil, se um brasileiro desse calote, nós pensaríamos que aquela pessoa é caloteira. Mas no caso de um turco dar calote, temos uma tendência a pensar que os turcos em geral são caloteiros, e não apenas aquela pessoa. Isso não é problema só dos japoneses não.

    Esses são só exemplos, e eu realmente não concordo com essa postura estereotipadora – mas nós só percebemos essa discriminação quando estamos do lado mais fraco.

    De qualquer forma, aqui cai certinho um dos primeiros posts do meu blog (que foi também a primeira coisa discutida no Koshukai da Asebex): Representatividade. ISSO É IMPORTANTE, TODOS LEIAM, POR FAVOR.

    http://andrekhorie.wordpress.com/2009/04/04/representatividade/

  4. e o negocio da mudança, a kuroneko tbm faz mudança..o da tia rita, elesajudaram a carregar tudo, desmontar e montar moveis., acho que as caixas da mudança estavam inclusas no serviço..senao vc compra as proprias caixas deles (que sao enormes.).por 15.000…o valor depende da distÂncia tbm…e era um caminhao grande…o nosso saiu caro porque é relativamente longe

  5. Verdade, até tinha esquecido da palavra “fiador”! Hahaha!

    Ah, eu não sabia que o Kureneko fazia mudança também… Arigato, Maili-chan!

  6. Oi Andre!

    Sobre mudanças, já ouviu falar do Maeda san? Maioria dos estrangeiros que eu conheço em Tokyo, faz mudança com o Maeda san. Qd fiz minha mudança de Soshigaya para Asakusa, ele cobrou 8mil. Mas é um caminhão pequeno da Akabou, então não cabe muita coisa.

    Uma vez, um amigo casado quis fazer mudança com o Maeda san e ele ficou traumatizado com a quantidade de coisas q tinha que colocar no caminhão. Se for mudança p 1 pessoa ele faz, mas para casais, acho que ele nega.

    Se precisar do tel dele, eu te passo ;-)

    Bianca

  7. Obrigado pelas dicas e pela troca de ideias. Kuroneko é gato preto né… não sei se faria mudança com um empresa que se chama GATO PRETO. Aqui no Brasil esse cara costuma dar mais azar do que o número 4!!!, chyotto …. arigatou ne. Mas, necessito mesmo é comprar um apartamento estilo Kitinet.

    • Pelo que eu ouvi dizer, existem empresas sim, que cobram uma taxa e servem de hoshonin, mas eu nao sei muito mais que isso nao… E tem que ver tambem se o dono do apartamento aceita esse tipo de hoshonin, que existem pessoas que so aceitam pessoas fisicas.

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