けんじの旅へようこそ!

Bem-vindos ao meu blog, “Kenji no Tabi”! Nele pretendo escrever minha experiência como bolsista de pós-graduação no Japão (e quem sabe não ajudar meus kouhais e futuros kouhais)! Yoroshiku onegai shimasu!

Welcome to “Kenji no Tabi”! In this blog, I intend to write about my own personal experience as a graduate student scholarship student in Japan (and maybe be a little useful to my fellow international students and future students). This blog is primarily written in Brazilian Portuguese, but if you would like to see any post translated to English, feel free to ask in the comments!

「けんじの旅」へようこそ!このブログには、留学生として私自身の経験を後輩達や日本で勉強したい人のために書くことにしました。ポストは全部ポルトガル語で書きますが、もし日本語に訳して欲しかったら、是非コメントに教えてください。よろしくお願いします!

Job Hunting

Shuushoku katsudou (就職活動) ou shuukatsu (就活) é quando os japoneses saem à procura de emprego quando chegam próximos ao fim da graduação ou pós-graduação.

Aqui, quem procura emprego é dividido como recém-formado (shinsotsu ou 新卒) e pessoas com experiência que estão se transferindo de emprego (tenshoku ou 転職). Para os shinsotsu, o processo começa em dezembro do penúltimo ano do curso. Os alunos procuram feiras de empregos (job fair ou ジョブフェア) ou seminários das empresas (setsumeikai ou 説明会), fazem inscrição pelo site das empresas ou mandam currículos (履歴書), e participam de visitas às empresas (kengakukai ou 見学会) até o mês de março.

Para inscrição no processo seletivo, os alunos entram ou pelo curso normal (jiyuu oubo ou 自由応募), que é a inscrição pelo site ou dando o currículo para a pessoa do RH, ou com referência da universidade (gakkou suisen ou 学校推薦). No segundo caso, o professor ou pessoa responsável pela inserção dos alunos no mercado de trabalho assinam uma carta de referência para a empresa desejada. Depois disso, a partir de abril começam as entrevistas, que em geral são três: uma primeira com o RH, uma segunda com alguém do seu futuro departamento, e uma entrevista final. Se você for aprovado ao final, você receberá uma proposta informal (nainaitei ou 内々定) até agosto, e começará a trabalhar em abril do outro ano, depois que você se formar.

Algumas diferenças em relação aos países ocidentais:

  • Em geral por este processo, você pode escolher até no máximo o departamento quando há job matching (ジョブマッチング). O cargo em si não é possível.
  • Se não há job matching, há algo como um programa de trainee: você passará por várias áreas da empresa, e eventualmente será encaixado em algum lugar.
  • O salário de entrada é em geral padrão para todos os shinsotsu, e pode ser visto no site da empresa.
  • Algumas poucas empresas possibilitam fazer parte do processo seletivo em inglês.

O currículo é trabalhoso de ser feito. Tirando empresas que permitem que você aplique via website, muitas empresas pedem que você entregue o currículo em papel – e preferencialmente escrito à mão (para mostrar o seu esforço). Aqui vão algumas dicas para preencher o currículo em japonês:

  • Os currículos seguem um padrão bem definido. Você pode comprar o papel para currículo em lojas de conveniência, bazares, papelarias, etc.
  • Coloque suas informações pessoais na parte de cima do currículo. Isso inclui nome, endereço, e-mail, telefone, idade e até foto 3×4.
  • Coloque a data de preenchimento do currículo, que está no topo superior da primeira folha.
  • Para o histórico escolar e experiência de trabalho, você deve colocar tudo em ordem cronológica do mais antigo para o mais recente. Os anos devem preferencialmente ser na forma japonesa (usando Showa, Heisei, etc. ao invés de 19xx ou 20xx).
  • No histórico escolar (学歴), escreva as datas de entrada e formatura de todos os seus cursos principais: ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado. Coloque o nome de todas as instituições até o departamento completo. Exemplo: 平成23年10月 東京大学大学院xx研究科xx学科 入学 em uma linha, e 平成26年09月 東京大学大学院xx研究科xx学科 博士課程卒業予定 na linha debaixo
  • Na experiência de trabalho (職歴), escreva as datas de entrada e saída de todas as empresas (ou pelo menos as mais relevantes), com o nome completo das instituição. Exemplo: 平成23年10月 株式会社xxxx 入社
  • Quando for escrever a data de saída de uma empresa, escreva o motivo também. Exemplo: 平成26年09月 xxxxにより 退社
  • A segunda página costuma diferir bastante entre os tipos de currículo, mas em geral você terá que escrever sobre kibou douki, jiko PR e shumi
  • Kibou Douki (希望動機): Escreva o que você fez até agora (de preferência mostrando resultados quantificadamente, como por exemplo aumento em 20% nas vendas) e com o que você quer trabalhar na empresa (incluindo como a sua experiência pode vir a ser útil)
  • Jiko PR (自己PR): Espaço para falar bem de si mesmo. Exemplo: “Sou comunicativo”, etc.
  • Shumi (趣味): Escreva sobre seu hobby. Em alguns currículos, eles falam em especialidade (tokugi ou 特技) e atividades extra-curriculares (bukatsu ou 部活). Escreva não somente o que você fez, mas as coisas importantes que você aprendeu
  • Existirá também um espaço para certificações (shikaku ou 資格). Escreva sobre testes de língua, como a pontuação de TOEIC e TOEFL, ou o nível de Japanese Language Proficiency Test (Nihongo Noryoku Shiken ou 日本語能力試験). Se tiver carteira de motorista japonesa (não vale a internacional), escreva também
  • Escreva tudo isso a caneta preta e com letra bonita. E sem rasuras
  • Escreva também o shokumukeirekisho (職務経歴書), que é um documento mais detalhado sobre sua experiência de trabalho (caso você tenha). Escreva sobre o que você fez em cada empresa e cargo ocupado. Este documento pode ser feito no computador e existem templates para isso na internet (ele não tem uma forma tão rígida quanto o rirekisho)
  • Se necessário, escreva também uma cover letter

E por fim, aqui vão algumas dicas sobre o processo seletivo em si:

  • Existe uma vestimenta padrão para o processo, que inclui o tipo e cor de terno, camisa, etc. Como eu pessoalmente não sei o traje certo, vá para uma loja de ternos mais próxima e pergunte (opções relativamente baratas são o Aoki ou Aoyama, mas espere gastar em torno de 30 mil ienes)
  • Quando for entregar o seu currículo, não entregue ele amassado que nem saco de pão. Leve o currículo em uma pasta, tire-o dela antes de entregar e entregue – ou entregue em um envelope
  • Participe de setsumeikais, kengakukais, etc. Eles podem dizer que não levarão isso em consideração no processo, mas isso nem sempre é verdade
  • Existem empresas que procuram estrangeiros ativamente, existem outras que seu currículo vai direto para o lixo. Infelizmente é assim, então não perca seu tempo com o segundo caso
  • Para estrangeiros, ter formação em universidade japonesa e experiência de trabalho no Japão conta bastante. Uma faculdade no exterior, por melhor que seja, pode não significar nada. Existem também empresas que ativamente rejeitam quem tem experiência no exterior por achar que essas pessoas “vão causar conflitos”
  • Os salários são relativamente padronizados no Japão. Então alguns empregos com salários baixos no Brasil tem salário alto no Japão, assim como o inverso também vale

Boa sorte para aqueles que estão procurando emprego!

Gasshuku do laboratório

Depois de muito tempo sem postar, resolvi tirar um pouco do pó acumulado no meu blog.

Gasshuku (合宿), como já disse esse post, é uma viagem com intuito de estudar, treinar ou fazer algo que você faria normalmente, mas em um ambiente diferente para que você possa se concentrar melhor.

Dia 12 e 13 de outubro foi o gasshuku do meu laboratório em Kawaguchiko (河口湖), um dos lagos aos pés do Monte Fuji. Não teve tempo para passear nos arredores – a não ser se você quisesse passear depois, e os dois dias foram basicamente de palestras sobre coisas internas do laboratório.

Em geral, você tem que tirar o dinheiro do bolso. Por isso, muitas vezes os gasshukus são feitos nos chamados “seminar houses”, que são mais baratos que hotéis normais.

Zairyu Card

Finalmente deixei de ser alien aqui no Japão. Como tive que renovar o meu visto novamente, com a mudança no ato de controle imigratório (ler mais aqui), eu recebi o novo Zairyu Card (在留カード) ao invés do Gaikokujin Touroku Shoumeisho (外国人登録証明書), que é traduzido para “Alien Registration Card”.

Além do Zairyu Card, do sistema de re-entry facilitado e de que o Immigration Bureau cuidará dos estrangeiros ao invés das prefeituras, eu ainda não percebi maiores diferenças no sistema.

Para os estudantes de plantão, não esqueçam de entregar cópias do seu cartão para as secretarias da faculdade. Eu tive que entregar para o departamento e para a Graduate School, por sinal.

Kanazawa

Kanazawa (金沢) é a capital da província de Ishikawa (石川県) e é famosa pela preservação da cultural tradicional japonesa, pelo artesanato e pela culinária. Ela fica fora da rota principal do shinkansen, então muitos turistas estrangeiros não chegam a conhecer a cidade. Para ir para lá, o jeito mais prático é pegar avião até o aeroporto de Komatsu (小松空港), e de lá pegar um ônibus expresso até a estação de Kanazawa (40 minutos, ¥1100).

As principais atrações de Kanazawa estão todas perto uma das outras; dá para ir andando, mas é melhor pegar o Kanazawa Loop Bus, cuja viagem individual é ¥200 e o bilhete diário é ¥500. Existem outras opções de passeio por perto, como o Kaga Onsen (加賀温泉), e outras não tão perto como Takayama (高山) e Shirakawago (白川郷).

Eu peguei o voo saindo lá pelas 10:05 da manhã de Haneda, chegando às 11:05 em Komatsu e 11:55 em Kanazawa. Andei até o mercado Omicho (Omicho Ichiba ou 近江町市場, a 15 minutos andando da estação) para almoçar. Por sinal, a especialidade de Kanazawa são os frutos do mar.

Depois, peguei o Loop Bus em direção ao distrito de Nishi Chaya (にし茶屋街), onde antigamente existiam casas de chá com geishas. O Loop Bus normalmente anda só em sentido horário, mas nos fins de semana de verão existe uma linha que faz o sentido anti-horário também. Chegando no Nishi Chaya, eu fui para o museu Nishi Chaya Shiryo (西茶屋資料博物館, entrada de graça), que tem uma exposição de como eram os quartos antigamente no segundo andar.

Nishi Chaya

Nishi Chaya

Em seguida, eu fui para o Myoryuji (妙立寺), um templo com diversas armadilhas que lembram até coisa de ninja. Esse templo também é conhecido como Ninjadera (忍者寺) por causa disso, mas eles insistem que o templo não tem nenhuma relação com ninja. A entrada é ¥800 e o tour demora 40 minutos (em japonês). Infelizmente, não é permitido tirar fotos do interior, então eu não tenho fotos para postar.

Myoryuji

Myoryuji

Em seguida, fui para a região de Nagamachi (a cerca de 10 minutos andando do Myoryuji), onde existem diversas casas antigas de samurai. Fui primeiro para o museu Shinise Kinenkan, uma antiga casa de mercantes, e depois para o Nomura-ke, uma antiga casa de samurais.

Shinise Kinenkan Museum

Shinise Kinenkan Museum

Nomura-ke

Nomura-ke

Como a maior parte das atrações fecha às 17:00, voltei para o hotel de ônibus. No dia seguinte de manhã, fui para o distrito de Higashi Chaya (ひがし茶屋街), que também é um antigo distrito de gueishas, mas maior que o Nishi Chaya. Lá, fui na casa Shima (entrada por ¥400, ou ¥350 se apresentar o bilhete diário do Loop Bus), que possui uma exposição também. Além disso, por mais ¥700, você pode tomar chá verde e comer um doce japonês no jardim dos fundos.

Shima, em Higashi Chaya

Shima, em Higashi Chaya

Depois, fui de ônibus para o parque Kenrokuen (兼六園, entrada ¥300), conhecido como um dos melhores jardins japoneses do país, e para o Kaga Yuzen Traditional Industry Center para experimentar vestir um kimono feito na região (¥2000 para tirar fotos dentro do prédio, ou ¥4500 para andar com ele até o Kenrokuen), antes indo almoçar no Sakura-tei, um restaurante da região que é meio caro mas vale todo iene pago.

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Kenrokuen

Almoço no Sakura-tei

Almoço no Sakura-tei

Kimono de Kaga Yuzen

Kimono de Kaga Yuzen

Por fim, fui a pé para o 21st Century Contemporary Art Museum, antes tomando um sorvete com folha de ouro que fica do lado do museu. Dei uma olhada também no muse de Noh e na loja de artesanato Hirosaka, que ficam um do lado do outro, embora não tenha olhado muito a fundo por já estar bem cansado. Depois disso, voltei para a estação, comprei omiyages como sempre, e voltei para Tóquio.